quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Concretude do Antes

ontem quando olhei destraído pela janela
julguei que havia visto sem mais nem menos
uma flor morrendo em meio aos escombros.

ah que visão triste vista por meus olhos embaçados
ela ali tão pura e perdida qual um objeto descartado
de repente senti a pena que consome os pecadores
que agonizam como se fossem santos martirizados.

ontem chorei tanto quando olhei pela janela
de onde julguei ter visto algo puro agonizando
qual uma flor despedaçada .

ontem se bem me lembro quando olhei da janela
pensei comigo e com mais nada:
a vida é uma doce ilusão que acaba.


Fabiano Silmes

domingo, 25 de abril de 2010

O mais são cinzas

A esperança está morta
Vejo em campos decepados
Os últimos pedaços espalhados.

Os sonhos se perderam
Lágrimas e olhos vermelhos
O horizonte foi sepultado
E o vazio se espalhou por tudo.

A inocência está morta
O amanhã está morto
Deus está morto

Minha voz é um eco.


Fabiano Silmes

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Decididamente

Rir como quem chora
De desgosto e desolação
Rir com a franqueza fria
Do sentimento exaltado
De amor e de angústia.

Rir de toda lucidez perdida
No inútil ato de felicidade.
Rir ao preço de dores furtivas
Ao amanhecer dos sonhos
Sem se arrepender jamais
De ter ousado.


F.Silmes

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Gritos em Silêncio

Para Raína Cabello

Nem tudo é dor na minha poesia...
Existe também aquilo que finjo e minto...
E isso... é o que dói mais...

F.Silmes

sábado, 14 de novembro de 2009

Frio e Gelo

Ontem risos
Hoje eu não sei.
Ontem abraços e beijos
Hoje gestos improvisados.
Ontem uma vontade acesa
Hoje discurso de lágrimas.
Ontem chamas pelo corpo
Hoje alguma coisa fria
Amanhã... Nem isso.


F.Silmes

domingo, 11 de outubro de 2009

A estrada da vida em nossas mãos

A vida é curta
Mas ainda temos a cachaça.
A vida é curta
Mas ainda temos a companhia
Dos nossos desaparecidos.

A vida é curta, curta, curtíssima.
Mas ainda conservamos aquela esperança acesa
De esticá-la sempre ao infinito de nossas tentativas
(E tentaremos sempre e sempre o quanto for preciso)
Pra quem sabe sorrir mais um pouco antes do ponto final.

F.Silmes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Kamikase

Sei que algo me falta
Algo que me incendeia.
Algo que não sei dizer.

Alguma coisa em mim
É um desejo inusitado
Que persiste até doer.

Sinto um peso n’alma
Que é quase um gesto...
Um gesto de desespero
Feito da mais fria calma

De um kamikaze que
Sabe que vai morrer.

F.Silmes