segunda-feira, 12 de março de 2012

Os últimos bocejos da esperança

Para Lucilene

Quando enterraram a minha esperança;
A tarde estava fria e o vento cortante.
As folhas mortas caiam das árvores altas
E as sombras cobriam as flores ressecadas.

Quando enterraram a minha esperança;
Tudo era desesperado como um grito
Subitamente apunhalado na garganta.

Quando enterraram a minha esperança;
Tudo em volta jazia triste e acinzentado...
Os Corvos voando, ao longe, grasnavam.

Mas, de repente, todo o silêncio se desfez
E um grito estridente rompeu a monotonia

Então, pude perceber, com clareza e horror,
Que quando enterraram a minha esperança
ela, tão linda e tão frágil, ainda estava viva.


F.Silmes

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Súplicas à memória e ao esquecimento

Eu não quero nem lembrar
Quero esquecer-me de tudo
Que apaga meu sorriso pela raiz
Quero esquecer o medo o tédio
A dor a angustia e a culpa
Quero esquecer-me do que não
Seja duradouro e eterno e infinito
Quero esquecer o mais depressa
Os últimos receios além do teto
Do céu do espaço e do universo
Quero esquecer tudo que sangra
Quero me lembrar com urgência
Que estou vivo nessa sexta-feira
Quero mais do que tudo me lembrar
Que a luz do sol existe sobre as coisas
E a beleza eterna e infinita das coisas
Não duram muito tempo.

Fabiano Silmes

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Concretude do Antes

ontem quando olhei destraído pela janela
julguei que havia visto sem mais nem menos
uma flor morrendo em meio aos escombros.

ah que visão triste vista por meus olhos embaçados
ela ali tão pura e perdida qual um objeto descartado
de repente senti a pena que consome os pecadores
que agonizam como se fossem santos martirizados.

ontem chorei tanto quando olhei pela janela
de onde julguei ter visto algo puro agonizando
qual uma flor despedaçada .

ontem se bem me lembro quando olhei da janela
pensei comigo e com mais nada:
a vida é uma doce ilusão que acaba.


Fabiano Silmes

domingo, 25 de abril de 2010

O mais são cinzas

A esperança está morta
Vejo em campos decepados
Os últimos pedaços espalhados.

Os sonhos se perderam
Lágrimas e olhos vermelhos
O horizonte foi sepultado
E o vazio se espalhou por tudo.

A inocência está morta
O amanhã está morto
Deus está morto

Minha voz é um eco.


Fabiano Silmes

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Decididamente

Rir como quem chora
De desgosto e desolação
Rir com a franqueza fria
Do sentimento exaltado
De amor e de angústia.

Rir de toda lucidez perdida
No inútil ato de felicidade.
Rir ao preço de dores furtivas
Ao amanhecer dos sonhos
Sem se arrepender jamais
De ter ousado.


F.Silmes

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Gritos em Silêncio

Para Raína Cabello

Nem tudo é dor na minha poesia...
Existe também aquilo que finjo e minto...
E isso... é o que dói mais...

F.Silmes

sábado, 14 de novembro de 2009

Frio e Gelo

Ontem risos
Hoje eu não sei.
Ontem abraços e beijos
Hoje gestos improvisados.
Ontem uma vontade acesa
Hoje discurso de lágrimas.
Ontem chamas pelo corpo
Hoje alguma coisa fria
Amanhã... Nem isso.


F.Silmes